DASARTES, BRASIL: PAULA PARISOT | CENTRO MUNICIPAL DE ARTES HÉLIO OITICICA

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A exposição E eu me levanto e conto uma história, de Paula Parisot, reúne obras produzidas entre 2018 e 2026 — entre pinturas, vídeos e trabalhos inéditos — em uma reflexão profunda sobre memória, corpo, narrativa e sobrevivência. Com curadoria de Cesar Oiticica, a mostra apresenta um conjunto de trabalhos que já integrou exposições internacionais como a Bienal Sur 2021 (Buenos Aires), a Casa de América (Madrid), a Sociedade Nacional de Belas Artes (Lisboa) e o Museu de Arte de Brasília, ao lado de novas pinturas apresentadas pela primeira vez ao público.

A exposição parte da ideia de que contar uma história é afirmar o direito de existir dentro dela. Em um mundo onde tantas narrativas são construídas a partir do poder — jurídico, político, econômico ou patriarcal — narrar a própria vida torna-se um gesto de resistência. Quem tem o direito de contar uma história? A quem pertence uma memória? O que acontece quando uma mulher decide narrar a si mesma, recusando o silêncio e as versões construídas pelos outros?

Durante um período de intensa troca entre Paula Parisot e a escritora portuguesa Susana Moreira Marques, surgiram reflexões sobre maternidade, violência, deslocamento, silêncio e sobrevivência. Em um dos textos produzidos a partir dessa correspondência, Paula diz a Susana:

“Ter direito à nossa história, com tudo o que tem de ruim e tudo o que tem de bom, é a única coisa que faz a vida possível.”

A frase atravessa toda a exposição. Nas pinturas de grande escala, nos vídeos íntimos e coletivos, nas imagens que oscilam entre fragilidade e enfrentamento, Paula Parisot transforma experiência pessoal em linguagem visual. Seu trabalho não busca separar vida e obra; ao contrário, afirma que o corpo, a memória e a experiência de uma mulher são também matéria política e estética.

A literatura de Leonardo Padura frequentemente retorna à memória como forma de permanência e enfrentamento contra o apagamento. Em E eu me levanto e conto uma história, essa resistência aparece como gesto insistente de permanência: levantar-se, falar, lembrar, registrar. Não permitir que apenas aqueles que detêm poder construam as versões oficiais do mundo.

As obras reunidas na mostra atravessam anos marcados por deslocamentos geográficos, batalhas judiciais, maternidade, luto e reconstrução. Ao mesmo tempo profundamente autobiográfica e coletiva, a exposição transforma a experiência individual em espaço de reconhecimento para outras vozes e outras histórias.

Mais do que romper o silêncio, Paula Parisot reivindica o direito à própria narrativa. E, ao fazê-lo, convida o público a perguntar: quantas histórias foram interrompidas antes mesmo de poderem ser contadas?

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